Apresentação
Mandicuéra, o sumo extraído da mandioca no
processo de produção da farinha. Extrato este que dá nome à união de
diferentes grupos que representam a cultura caiçara do Paraná, mais
especificamente de Paranaguá. É nesse caldo que vem sendo geridos,
desde 2003, projetos e idéias de fomento à produção da cultura popular
local e de articulação comunitária.
O início se deu com a
criação do Grupo de Cultura Popular Mandicuéra, que realizou o
espetáculo Rufo de Adufo em parceria com o SESC em turnê por 15 estados
Brasileiros, unindo fandango, boi-de-mamão e romaria do divino. Fazem
parte da associação os grupos Pés-de-Ouro, Caiçaras do Paraná, Grêmio
São Vicente, Grupo Mandicuéra, Grupo da Romaria do Divino, Boi de
Mamão, Equipe Pamoná de ventrecha de Culinária Tipica entre outros.

Atualmente,
a Mandicuera trabalha na elaboração de projetos como Orquestra
Rabecônica Brasileira, Casa de Farinha, Fábrica de Instrumentos/
projeto Rabecando. Além do programa Fandango na Escola e de eventos
permanentes, Fandango no Mercado, Entrudo de Carnaval, Festa do
Fandango, Festa do Divino, Todos realizados em parceria com ,
Ministério da Cultura, Secretaria do Estado da Cultura Do Paraná.
Objetivos dessas atividades
-Divulgar as atividades populares da região; -Repassar o conhecimento popular ?restrito?, através de oficinas; -Incentivar a criação de novos grupos; -Preservar o patrimônio imaterial do Paraná; -Realizar a produção artística de grupos e espetáculos locais; -Formar novos fandangueiros; -Repassar o ritmo, métrica e todo universo que envolve o fandango batido; -Colocar as pessoas em contato com uma tradição oral secular.
Histórico
A
Associação Mandicuéra foi criada em 2003, sendo oficializada em
setembro de 2004. Reunidos com o mesmo nome ? Mandicuéra - desde o
início do ano, integrantes de diferentes grupos montaram e realizaram o
espetáculo Rufo de Adufo. Com isso, músicos, batedores e produtores
perceberam que unidos, os grupos poderiam realizar trabalhos de
qualidade e com grande potencial de transformação.
Assim, além
do fandango poderia ser feito o auto do Boi-de-Mamão e a Romaria do
Divino, manifestações que ainda persistem na memória da população
local. Com esse intuito, foi criada a Associação Mandicuéra de Cultura
Popular Paranaense.
O evento Fandango no Mercado, idealizado
pela Mandicuéra e tento sua primeira realização em parceria com a
Prefeitura Municipal de Paranaguá revitalizou esta manifestação como
antigamente, foi dançado o baile nos três dias de carnaval, reunindo
dezenas de pessoas no Mercado do Café. Foi diversão até o amanhecer e
que rendeu à comunidade parnanguara a continuidade do evento, que agora
é realizado, um sábado por mês.
Além de eventos, a Associação
Mandicuéra também tem trabalhado no setor da educação, participando de
projetos como o Paraná Fazendo Arte, da Secretaria do Estado da Cultura
do Paraná e produzindo projetos como o Fandango nas Escolas, realizado
em parceria com a Secretaria de Estado da Educação e que atinge todas
as escolas estaduais do litoral do Paraná, prevendo recursos didáticos,
materiais e humano.
Justificativa
Território
de grandes riquezas naturais e pólo da economia do Paraná, com o Porto
de Paranaguá e Antonina, a região do litoral tem contribuído
significativamente para a prosperidade do estado. No entanto, como em
todo o território brasileiro, essa riqueza não se reflete na qualidade
de vida da maioria da população, embora possua potencial para isso. As
políticas de proteção ao meio ambiente são fortes, mas excluem o homem
da lista de seres a serem preservados.
Há uma evasão das ilhas
e comunidades litorâneas da serra do mar, pois a sobrevivência nessas
localidades é quase impossível. Dessa maneira, moradores antigos saem
de suas casas, abandonam sua história para procurar um lugar na
periferia de cidades como Paranaguá e Guaratuba e, de alguma forma,
viabilizar sua subsistência. Espelho dessa realidade é a Ilha do
Valadares, que concentra famílias vindas dos mais diversos locais do
litoral.
A população da ilha hoje chega a cerca de 30 mil
habitantes, que vivem em condições ? muitas vezes ? precárias. Em suas
ruelas e becos, a ilha é também uma grande concentração da cultura
caiçara. Por isso é onde funciona o coração da Associação Mandicuéra.
As ações da associação não são exclusivas do Valadares, mas tem nessa
localidade seu centro. A partir de elementos colhidos na ilha são
idealizados os projetos.
Nesse contexto, as ações são
elaboradas pensando nas necessidades da comunidade, resultando em
projetos que proporcionam educação, conscientização e geração de renda.
É o caso dos projetos Casa de Farinha e Fábrica de Instrumentos que
pretendem, através da produção em cultura, fomentar a geração de renda
dentro da comunidade, de maneira cooperativa e auto-sustentável. |