| Construindo a cultura caiçara
A sonoridade caiçara, e todo o universo que a integra, é característica singular da cultura paranaense. Muito ligada ao meio ambiente, a música de nosso litoral traz em seus instrumentos, elementos peculiares de uma cultura construída ao longo de séculos. É na caxeta, canela e outras árvores da mata atlântica que os construtores de instrumentos encontram a matéria-prima para a criação de rabecas, violas e machetes. Isso sem falar em adufos e caixas, instrumentos de percussão que acompanham manifestações como o fandango e a folia do Divino Espírito Santo e Boi de Mamão.
E o segredo de tudo isso, da construção à execução das músicas, é riqueza que se herda. Passada e repassada oralmente, as técnicas de construção e da própria música, transformam-se em cada período, levando características de construtores e tocadores. E a lógica dessas culturas populares reside aí, no repasse, na continuidade.
Ciente da importância da permanência dessas culturas no litoral paranaense, a Associação Mandicuéra criou o projeto Rabecando – A Preservação Através do Repasse. O projeto, aprovado no Edital de Culturas Populares, promovido pelo Ministério da Cultura, realizou oficinas que multiplicaram esses saberes populares, da construção de instrumentos e da musicalidade caiçara. Foram ao todo quatro oficinas que ensinaram aos jovens da Ilha do Valadares e Paranaguá as técnicas de construção da Rabeca, Viola, Adufo, Caixa, e de Música.
As aulas aconteceram de julho de 2006 a fevereiro de 2007, na sede da Associação Mandicuéra, na Iha dos Valadares. Cada oficina teve quatro horas/aula semanais, e os alunos sairam preparados para construir o instrumento escolhido. Foram disponibilizadas dez vagas por oficina. Poderam se inscrever para a seleção de alunos, jovens entre 15 e 21 anos, preferencialmente moradores da Ilha dos Valadares ou arredores, que estivessem matriculados na escola ou que já tevessem concluído o ensino médio. As atividades foram gratuitas. |