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Descrição hidrográfica das grandes e formosas baías de Paranaguá
28 de Maio de 2008
Descrição hidrográfica das grandes e formosas baías de Paranaguá, os rios que nelas deságuam em toda sua circunferência e os estabelecimentos de agricultura mais notáveis em suas margens. Autor;Vieira dos Santos Direitos reservados ao Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá 199 _ As três barras de Paranaguá que dão entrada às grandes e formosas baías são formadas por duas ilhas de desigual grandeza, chamadas do Mel e das Peças. A barra de Ibupetuba (62) vulgarmente chamada do Sul, fica entre o pontal de sul e a mencionada Ilha do Mel. A barra grande fica colocada entre

 CAPÍTULO IV

 

 

Descrição hidrográfica das grandes e formosas baías de Paranaguá, os rios que nelas deságuam em toda sua circunferência e os estabelecimentos de agricultura mais notáveis em suas margens.

 

 

199 _ As três barras de Paranaguá que dão entrada às grandes e formosas baías são formadas por duas ilhas de desigual grandeza, chamadas do Mel e das Peças. A barra de Ibupetuba (62) vulgarmente chamada do Sul, fica entre o pontal de sul e a mencionada Ilha do Mel. A barra grande fica colocada entre a ponta setentrional da Ilha do Mel e a meridional da Ilha das Peças. A barra de Superagüi entre a ponta setentrional das Peças e a praia denominada Superagüi. A barra grande está na latitude austral de 25 graus, 31´ 30´´, e na longitude de 329 graus 36´ 0´´, N. E., 8´ 8´´, esta barra tem de largura 500 braças no mais estreito e 2 canais para a saída e entrada das embarcações, um para o norte, menos freqüentado, outro a leste pelo qual entram navios, galeras, corvetas, bergantins e lanchas. Este canal tem na sua foz um banco de areia na saída do oceano, que o divide em dois, sendo um a rumo de leste e outro ao sueste, este tem mais fundo que aquele, e uma légua ao mar da barra se acham três braças e meia e logo mais para a terra, 4, 5, 6, 7 e 8. O da banda do norte tem um ilhote que se chama o das Palmas, e dele sai um parcel que corre a lessueste, coisa de uma légua; e ao sul deste ilhote é que está a Ilha do Mel, entre o mesmo e a dita ilha se acham 9 braças e mais para dentro, 12. As outras duas barras não são suficientes para dar entradas a embarcações maiores e só sim a pequenas lanchas e nas quais se não acham mais de duas braças de fundo. A barra do sul fica distante meia légua mais ou menos da grande, e por ela entrou no ano de 1845 um brigue barca, e por engano do prático, bem como também entrou por engano, outro brigue hamburguês. Na

 

 

 (62) No roteiro de Manoel Pimentel, à p. 314, diz: "Seis léguas ao norte de Guaratuba, estão as 3 barras da lagoa de Paranaguá: a do meio, que é a maior, está na altura de 125 graus e 22 minutos, e tem de largura 500 braças no mais estreito. Uma légua ao mar desta barra, há três braças e meia de fundo e logo mais para a terra, 4, 5, 6 e 7 e 8 braças; da banda do norte tem um ilhote que se chama das Palmas e dele sai um parcel que corre a lessueste; coisa de uma légua; ao sul deste ilhote está uma ilha maior que se chama a ilha do Mel; entre o dito ilhote e a ilha há 9 braças. As outras duas barras são:...... Lanchas e não tem mais de duas braças de fundo, a mais ao sul chamam Ibupetuba; e a mais ao norte Superagüi. Mais adiante 7 léguas para o nordeste está outra barra que se chama Ararapira, a qual está impedida com um grande banco de areia em que arrebenta o mar.

 

 

 

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 sua entrada tem duas pequenas ilhotas chamadas galhetas, que fazem entortar o rumo do canal e por isso se torna algum tanto perigosa; e próximo a ela tem a Ilha chamada do Curral. A barra de Superagüi fica duas léguas mais ou menos distante da grande; seu canal é baixo e só pode dar entrada a canoas ou lanchas, por ter um parcel de areia que lança para o mar até a distância de 1 légua, mas em 14 de dezembro de 1845 aconteceu nela um dos sucessos mais memoráveis e digno de história, por ter entrado o Patacho S. José dos Prazeres, vindo do Rio Grande do Sul e impelido por um grande temporal e pelo crescimento do vento e das ondas, passou felizmente por cima dos parcéis, entrando com felicidade pelas 11 horas da noite! Donde, passando à baia dos Pinheiros, surgiu em Paranaguá com grande admiração de todo o povo! A barra do Ararapira fica 7 léguas ao nordeste da de Superagüi; sua entrada é impedida por um grande banco de areia em que o mar furiosamente arrebenta. A Ilha das Peças, cujo nome é indicador de que nela antigamente ali seriam colocadas algumas peças de artilharia, no lado que olha para o canal da barra depois da entrada que fez o pirata francês, em 1718, muito antes de que fosse feita fortaleza. Esta ilha é muito povoada e com muitas plantações de arroz e mandioca, e seus moradores se empregam comumente na pescaria do mar; ela terá duas léguas de comprimento e outro tanto de largura, e 1 légua na menor; é regada por diversos rios, como são o das Laranjeiras, ou Guanandituba, o das pescadas, o das peças e outros menores. A Ilha do Mel é montuosa para o lado do mar grosso e do lado oposto é baixa, e terá duas léguas de comprimento, 1 de largura; algum tanto fértil de mandioca e outros legumes; mas nela há muitos formigueiros que destroem as plantações; é regada pelos rios Seco, Pirequê, Cedro e Hospital e outros pequenos ribeirões que nele deságuam. Suas águas são avermelhadas e de mau sabor por causa dos muitos mangais que nela há; na fralda de um monte que tem na ponta setentrional e que fica fronteiro ao canal, o Governador da Capitania, o Morgado de Mateus D. Luiz Antônio de Sousa Botelho (63) mandou edificar uma boa fortaleza de pedra de cantaria lavrada, cuja obra foi feita debaixo da inspeção do ajudante de ordens Afonso Botelho, seu irmão (A) que então estava no governo militar de Paranaguá. Desde o pontal do sul, em distância de 6 léguas pela

 

 

 (63) D. Luiz Antônio de Sousa Botelho Mourão, Morgado de Mateus, o qual chegando à vila de Santos, em 23 de junho de 1765, entrou a exercitar a sua jurisdição, sem a precedência do solene ato de posse, que foi a 7 de abril do ano seguinte, mandou proceder ao exame dos dois grandes rios de Curitiba, Iguaçu e Ivaí, e a observação de suas afluências e correntezas e o mesmo no rio Iguatemi, e erigiu a praça de Nossa Senhoras dos Prazeres, distante 60 léguas do apartamento do famigerado sítio das sete quedas, a rumo do oeste, que Martim Lopes, seu sucessor, a mandou evacuar em proveito dos castelhanos; mandou edificar a fortaleza de Paranaguá, com a invocação de Nossa Senhora dos Prazeres.(A) O Tenente-Coronel Affonso Botelho de S. Payo e Sousa não era irmão de Dom Luiz Antônio de Sousa Botelho Mourão e sim primo deste - F.N.

 

 

 

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 costeira do mar grosso, segue uma formosa praia, até a barra da Vila de Guaratuba, em cuja distância há muitos moradores com estabelecimentos de agricultura de mandioca e criações de gados vacuns e bois carreiros para conduzirem os seus gêneros e darem transportes aos viandantes que de Paranaguá se destinam para as Vilas do sul e transitam por aquelas praias. Tendo descrito a perspectiva exterior que apresenta ao navegante a costa do mar do distrito de Paranaguá desde a barra de Guaratuba à de Ararapira, mostrarei agora a formosura e a grandeza de suas baías. O nome de Paranaguá ou vulgarmente de "Paraná-aguá", significa mar grande e redondo, nome que deram a esse lago espaçoso e de que a Vila recebeu o mesmo título. A grande baía terá de comprimento de leste a oeste, 6 ou 7 léguas, para mais de 3 na maior largura, sua forma mui irregular com vários recantos; a porção mais setentrional é a baía dos Pinheiros; a mais central, a das Laranjeiras; e a mais ocidental a de Antonina, formando todas conjuntamente, uma só no interior das três barras. Nesse grande golfo estão semeadas mais de 30 ilhas e pequenos ilhotes, algumas com duas e mais léguas de comprimento e outras menores, revestidas de verdes matas, fazendo realçar as águas azuladas dessas baías; e no circuito de seus contornos vão desaguar mais de 80 rios grandes e caudalosos, a mor parte navegáveis, em distância de 8 a 10 léguas, e imensos ribeirões e galhos laterais que a eles se vêm juntar, e todos vão tributar seu curso nas baías. Na verdade seria bem agradável aos primeiros povoadores vindos de Cananéia quando pela primeira vez entraram pela barra a dentro de tão formoso lago semeado de tantas ilhas e suas margens orladas de verdes mangais, circuladas de serranias e montanhas de diversas figurações e alturas, acobertadas de riquíssimos bosques e espessas matas, onde sobressai o ararivá, o cedro, a palmeira, a pindaíba e o indaiá, onde cruzavam nos ares imensos turbilhões de papagaios, tucanos e periquitos, onde exércitos de formosíssimos guarás, vestidos de escarlate e quais soldados britânicos voavam em linha de batalha militarmente; onde o canto do pintassilgo, do canário, do bonito e sabiá, regozijavam os ouvidos, onde o trinado da araponga repicava o sino da alegria pela boa-vinda dos novos hóspedes, e onde finalmente centenas de índios carijó, estupefactos nas suas pequenas aldeias de que a baía estava povoada; e à porta de suas choupanas, ou dentro de pirogas de suas pescarias, admirados estavam vendo a entrada daqueles novos hóspedes, que os haviam de senhorear, ensinando-lhes a educação, a civilidade e religião, e a entrarem algum dia na ordem social das mais nações e talvez já estão meditando a maneira porque haviam de expulsar à força tais hóspedes estrangeiros, com algum assalto inesperado; mas aqueles novos ingressos, evitando tais ciladas, se quiseram acautelar, indo desembarcar na Ilha da Cotinga, como lugar de mais seguro asilo, onde logo principiaram a fazer seus estabelecimentos; essa vista linda e pitoresca das baías de Paranaguá, melhor as poderia escrever um Milton. Resta mostrar a descrição circular do inte

 

 

 

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 rior delas; e tendo seu princípio no pontal do sul e margem direita dela, em derredor até a de Antonina; e voltando pela margem esquerda oposta em derredor das baías das Laranjeiras e dos Pinheiros, vindo circularmente a finalizar na ponta da Ilha das Peças, no canal da barra grande, principiando pois, no pontal do sul até a Cidade de Paranaguá, as margens dessa costeira são cobertas de mangais e correm a rumo de oeste por espaço de 4 léguas; é terreno plano por serem fraldas da serra da Prata a mais saliente ao mar; e ramo da cordilheira geral da marinha chamada Paranapiacaba; estas várzeas terão de extensão de 4 a 6 léguas; nesse espaço de costeira deságuam diversos rios, que todos trazem sua origem das serras; seus nomes são: Periquê mirim ou Gracuí, o de Penedo, do Uvamerim, Boguaçu, Maciéis, Tolentino, Gorguaçu ou Guaraguaçu, rio Pequeno, dos Almeidas, dos Correias e o de Taguaré, que é o rio que ora banha a Cidade; esses rios todos são navegáveis por espaço de 3 ou mais léguas, mas o do Guaraguaçu é o maior e a sua navegação avança de 8 a 10 léguas e por suas muitas voltas e tortuosidades pode o navegante aproximar-se até ao pé da serra da Prata; desde sua foz até mais de uma légua, tem bastante fundo; e por ele sobem bergantins e sumacas a carregar. Fronteiro a essa costeira da barra do sul até a Cidade, caminhando de leste a oeste tem um ilhote pequeno chamado dos Papagaios; e mais duas ilhas maiores a Rasa e a da Cotinga. A ilha chamada Rasa é seu terreno plano e baixo, donde derivou o nome; tem de comprimento légua e meia e pouco produtiva. A Ilha da Cotinga unida à Rasa, e só dividida por um pequeno riacho, é montuosa, produz bem a mandioca, cana, café e é fértil e boa pastagem para o gado; nela aportaram os primeiros povoadores, onde fizeram seus primeiros estabelecimentos; tem um ribeirão d´água excelente que desce da montanha e onde as embarcações vão fazer suas aguadas; é pertencente ao rocio da Cidade; ali foi edificada a capela de Nossa Senhora das Mercês, feita em 1677 e demolida em 1699; na ponta dessa ilha naufragou o pirata francês, em 1718, e ali mesmo encalhou o vapor de guerra S. Salvador, no ano de 1839; tem um bom fundeadouro chamado o porto de Nossa Senhora, fronteiro a Paranaguá. Essa ilha tem duas léguas de comprido e uma milha de largo. Por entre estas e a costeira da barra do sul, há um canal limpo e de bom fundo, por onde comumente saem as embarcações que entram pela barra, por ser essa navegação de menos perigos do que o canal de fora, em razão das pedras, divisa do município de Paranaguá segue a mesma costeira rodeando a margem esquerda da baía. Saindo do rio Taguaré por um pequeno esteiro chamado "o Furado" em razão das pontas de pedras da Ilha da Cotinga. Do Rio Taguaré até o Rio das Pedras, divisa do município de Paranaguá segue a mesma costeira rodeando a margem esquerda da baía. Saindo do Rio Taguaré por um pequeno esteiro chamado "o Furado" em razão de sair na grande baía, que desde a Ilha da Cotinga segue a rumo de oeste, até Antonina. Principia a costeira chamada do Rocio, por ser do terreno propriamente dito e pertencente aos bens do Conselho até a entrada do rio Emboguaçu; nessa costeira coberta

  

 

 

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 de mangais aparece uma nova capelinha dedicada à milagrosa imagem de Nossa Senhora do Rosário do Rocio, a quem os povos paranagüenses e outras partes tributam grande devoção (63) e onde anualmente se faz uma grande romaria e festividade, de um domingo do mês de novembro. Em frente da mesma capela a ornam uma fileira de ingazeiros, que à vista da formosa baía, onde ali terá mais de uma légua de largura, mostra-se um lugar pitoresco e bem aprazível. Adiante da barra do rio Emboguaçu seguem em largas distâncias na mesma costeira os rios do Bocuí, Ribeirão, do Tabatingüera, do Toral e do rio das Pedras, último do da divisa do município por esta margem da baía. Fronteira a esse espaço da costeira e em distância de três léguas da Ilha da Cotinga a do Teixeira, divisa do município, se acham no grande largo da mesma baía várias ilhas e pequenos ilhotes, que aformoseiam, sendo duas ilhas denominadas do Jererê, outra chamada do Lamim, próximas à costeira oposta. Outra maior chamada de Guararema (64) mui fértil na plana de feijão, e a ilha do Teixeira que é a maior onde há grandes plantações de cana, milho e man

 

 

 (63) A capela de Nossa Senhora do Rosário do Rocio foi feita no ano de 1813, debaixo da Protetoria do Padre Frei Manoel de Santo Tomás. Antes desse tempo a mesma milagrosa imagem estava colocada uma casa de palha, num decente altar; e era pertencente ao devoto cidadão o Tenente Faustino José da Silva Borges, com mais de 80 anos de idade, e que a mesma imagem era de um preto, por alcunha Beré ou Emberé; de maneira que a mesma imagem tem de antigüidade mais de um século, a quem os Paranagüenses lhe tributam a maior veneração, recorrendo a ela em suas necessidades, sendo afamada entre os navegantes. A nova capela está à margem da grande baía, num lugar aprazível; em frente de seu frontispício se plantou uma fileira de formosa jerivás, o que realça ao longe a sua vista. Essa capela foi feita por esmolas que deram os Paranagüenses. Sua festividade se costuma a fazer com grande pompa no 2º domingo do mês de novembro, com nove dias de novena, missa cantada e sermão. Anos há em que concorrem mais de trezentas pessoas, abarracadas em ranchos acobertados de palha, e velas de embarcações, surgindo nesse lugar, um novo arraial. Todas as senhoras principais; e a melhor nobreza de Paranaguá vão assistir à mesma festividade. Outros anos há em que somente se fazem em sua capela os nove dias da novena e que os jovens paranagüenses muito apreciam de ir assistir às mesmas por terem a grande satisfação de irem a cavalo com suas senhoras, de passeio por esse belo caminho. De um solo areento e marginado de arvoredo, de araçaieiros, goiabeiras e outras frutas silvestres, com muitas chácaras e sítios de lavradores. Nesses anos em que se fazem as novenas da Senhora em sua capela, na véspera do seu dia a trazem em procissão à Cidade até a igreja da matriz onde no seu dia se lhe canta a solene missa e sermão, e de tarde, saindo em procissão pelas ruas da Cidade a vão outra vez levar à sua capela, cantando o terço por todo o caminho. Que saudade não fica o povo Paranagüense com a despedida dessa Senhora. Sua capela diariamente é visitada por todos aqueles que recorrem à sua proteção e que agradecidos vão cumprir sua romaria, levar sua esmola e depositar o milagre que ela fez, perpetuando assim nos futuros séculos, seus agradecimentos. A mesma capela não tem nenhuns réditos nem patrimônio e só é conservada à custa das esmolas dos fiéis. Cotidianamente nela se dizem missas de promessas e muitas mais haveria se não houvesse tanta falta de sacerdotes. Os Juízes da festa são tirados a sortes; e alguns, como no ano de 1814, que fez o Capitão-mor Manoel Antônio Pereira, a fez com muita grandeza e até nesse ano houve teatro, onde se representaram peças dramáticas.

 

(64) A ilha do Teixeira foi de propriedade do falecido Gaspar da Rocha; e hoje de João Rodrigues Moreira é mui fértil de feijão, cana e mandioca; nela tem uma fábrica de aguardente e uma riqueza inesgotável de grande sambaqui de casca de ostras, onde se tem feito milhares de moios de cal.

 

 

 

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 dioca, e até produz ótimas parreiras, dando belos cachos de uvas, e onde houve e ainda tem, grandes montes de ostreiras. Do rio das Pedras continua a descrição da mesma costeira circular da Bahia até a foz do rio Cubatão, e que é pertencente ao distrito da Vila Antonina, desde a divisão que se fez pela criação desta Vila, em 1797; esta margem são como as outras povoadas de grandes mangais e contém neste espaço grandes rios, que todos têm a sua origem das serras de Paranapiacaba, entre a da Prata e a do Guarumbi. Adiante do rio das Pedras em caminho de oessudoeste a oeste tem os rios de Jacareí, Saquaremuçu, dos Ilhéus, do Sagrado, do Sambaqui-guaçu e Guanandi, e outros menos laterais que nesses vêm desaguar. O grande rio Cubatão (A) tem suas nascentes próximo da Serra da Mãe Catira e nele deságuam os rios de Itupava e de Itapsetanduba, na margem esquerda, e no da direita os rios de Cari, ribeirões da ponte alta, e o da Vila de Morretes, e os rios do Marumbi e do Pinto. Este rio do Cubatão foi famoso desde a antigüidade; e por ele é que transita todo o comércio das vilas centrais da comarca no transporte dos gêneros para a marinha; ali se estabeleceu um contrato de passagens, em 1721, para o transporte dos gêneros comerciais e viandantes de Paranaguá; e foi arrematado o primeiro triênio na Real Junta da Fazenda, na Vila de Santos, pelo Capitão Francisco Rangel, por 48$000 réis. (65) Na margem esquerda desse rio tem a Vila de Morretes, bastantemente comercial por ser ali o ponto central do comércio, cuja Vila foi criada em 5 de julho de 1841, em virtude da Lei Provincial nº 16, de 1º de março de mesmo ano. Continua-se agora a descrição da baía desde a foz do rio Cubatão ao de S. João, e dali pela margem oposta do grande braço que faz a baía, para este lado do oeste, continua outra costeira até a ponta ou istmo de terra denominado dos Pinheiros, e que fica fronteira à Ilha do Teixeira. Segue logo adiante da foz do rio Cubatão o chamado de S. João, antigamente rio do Inferno e desde sua foz, até certa distância é navegável, e tem o seu nascimento entre as serras da Mãe Catira e da Graciosa, nas suas margens tem bons estabelecimentos de agricultores

 

 

 (A) Rio Nhundiaquara. F.N.

 

(65) 1723 _ Num livro de Registro da Câmara, a f. 78v. se acha o seguinte registro do arrendamento das passagens dos cubatões desta Vila para a de Curitiba: "Timóteo Correia de Góis, Provedor e Contador da Fazenda Real, nestas Capitanias de S. Vicente e Conceição, e nelas Juiz d´Alfândega, por S. Majestade Vedor-geral da infantaria da praça de Santos. Por este meu alvará de arrendamento, sendo por mim assinado, faço saber aos Senhores Oficiais da Câmara da Vila de Paranaguá, que João Francisco Neto arrematou nesta Provedoria a passagem do Cubatão da dita Vila, por preço e quantia de quarenta e oito mil réis livres para S. Majestade, pelos três anos que hão de começar em primeiro de agosto deste presente ano, e hão de acabar no último de julho de 1726 anos, a qual passagem disse que arrematara para o Capitão Francisco Rangel por rendeiro da passagem, fazendo-lhe guardar seus privilégios e dando-lhe todo o favor e ajuda que pedida lhe fosse, para a boa arrecadação e cobrança do dito arrendamento. Dado nesta Vila de Santos sob meu sinal somente "aos 28 de mês de abril de 1723. E eu, Bento da Cruz Carneiro, escrivão da Fazenda Real e Almoxarifado que o escrevi. Timóteo Correia de Góis".

 

 

 

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 com engenhos de cana e mandioca e na margem direita, houve um estaleiro do falecido Capitão-mor Manoel José Alves, onde construiu as sumacas Francesinha, Bela Flor, Estrela Brilhante, bergantim S. Manoel, Imperador e os penque Santa Cruz Brasileira e Santa Ana e Labre, Belizário por haver em suas margens e nos rios adjacentes riquíssimas madeiras de lei; este lado da costeira é montanhoso, e onde tem diversos riachos por entre mangais e piris, que vão dar a alguns estabelecimentos, que por ali se fizeram como a do Monte Alegre na margem do mesmo e próximo a um sítio dum Pedro Barbosa, e se construiu uma pequena lancha de nome Saracura, e mais adiante num lugar com o nome de registro, porque antigamente foi ali posta uma peça de artilharia para dar sinal de rebate a acudirem os povos a Paranaguá no caso de invasão de algum pirata, neste lugar se construiu um bergantim de nome Bizárria; os principais agricultores que moram nessa costeira são o Sargento-mor Basílio José Machado (A) já falecido, no Monte Alegre, com fábrica de cana e mandioca; Jacinto Xavier Neves, com olaria e engenho de cana; o do Sargento-mor Francisco dos Santos Pinheiro com engenho de pilar arroz, o de João Antônio de Melo, com engenho de cana sobre um alto outeiro com linda vista, pondo-se-lhe por isso o nome de Boa Vista, e finalmente o grande sítio dos Pinheiros, onde tem as fábricas de aguardente, mandioca e de pilar arroz, tangidas por uma roda e movida com água por cima; e foi este grande estabelecimento do falecido Tenente-coronel Francisco Gonçalves Cordeiro e ora de seus herdeiros. (B) Da ponta dos Pinheiros entra a formosa baía de Antonina, continuada da grande lagoa e na costeira que segue até aquela Vila há muitos estabelecimentos de agricultores com engenho de aguardente, arroz e mandioca. O local da Vila Antonina está à margem da grande baía num assento plano e lugar muito aprazível; a sua igreja matriz com a invocação de Nossa Senhora do Pilar foi feita em 1714 e está sobre um lindo outeiro. Adiante dessa Vila continua a costeira de mangais em derredor de outro braço que faz a baía para o lado do noroeste e norte até ao grande rio da Cachoeira. Todos os grandes rios que nela deságuam são originários das serrais gerais de

 

 

 ____________________(A) O Sargento-mor Basílio José Machado era filho legítimo de Raimundo José Senábio e sua mulher D. Eufrosina da Silva Freire. Foi casado em primeiras núpcias com D. Maria Ferreira de Oliveira, filha legítima do Sargento-mor Antônio Ferreira de Oliveira e sua mulher D. Rosa de Sousa e Silva e, em segundas núpcias, com D. Ana Mariana Anunciação, filha legítima do Sargento-mor Francisco dos Santos Pinheiro e sua mulher D. Ana Maria Ferreira das Neves. De seus dois matrimônios descendem inúmeras e ilustre famílias paranaenses, tais como: Xavier Neves, Bittencourt, Viana, Borges, Oliveira, etc. F.N.(B) O Tenente-coronel Francisco Gonçalves Cordeiro era filho do Coronel Gaspar Gonçalves de Morais (filho de Pedro de Morais Monforte e sua mulher D. Catarina de Lemos) e sua mulher D. Catarina de Sene. Era o Tenente-coronel casado com D. Dorotéia Luísa Monteiro de Matos, descendente do Capitão André Cursino de Matos, do Coronel Anastácio de Freitas Trancoso, avô de outro de igual nome, do Capitão-mor de Paranaguá Gaspar Teixeira de Azevedo, etc. Foi tronco de inúmeras e numerosas famílias. F. N.

 

 

 

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 Paranapiacaba, além da Graciosa, até a chamada do Chapéu do Sol, os rios são o do Picão, o Seco, o de Coritiba-aiba, o de Cacatu, o do Meio, o do Mundo Novo e o da Cachoeira, o maior e o mais caudaloso de todos; em toda essa costeira circular há muitos estabelecimentos de agricultores. (67) O rio da Cachoeira é navegável por algumas léguas; e nele são tributários outros menores de nomes: S. Caetano Mergulhão, Turvo, Copiúva e outros. Nele há uma grande catarata ou salto que faz o rio despenhando-se por entre penedias donde derivou o seu nome de Cachoeira. Desse rio principia o lado esquerdo da grande baía, que vai circulando até a Ponta Grossa, e dali a ponta do pasto, rodeando as baías das Laranjeiras e dos Pinheiros, finalizando na Ilha das Peças, na entrada da barra. Começando pois no rio da Cachoeira segue a costeira até outro rio chamado Faisqueira, pelo qual navegam embarcações a carregar diversos gêneros de cal, madeiras e arroz, e suas margens são bastante povoadas de muitos agricultores (68) e nestes são tributários os rios do Cedro, Jundiaquara, o de Caracuara e outros mais. Na foz deste nasce um braço direito do rio lateral com a costeira da terra firme e que divide daquela uma grande ilha chamada do Albano, onde há uma olaria; e no mesmo braço do rio, um pequeno ilhote com o nome de Araçaúba nas margens do rio da Faisqueira e de seus confluentes tem muitos estabelecimentos agrícolas. (69) Da barra do rio de Santos até a Ponta Grossa, tem um rio lateral que vai marginando a costeira com o nome de Quatinga e dela faz dividir uma comprida ilha com o nome de Guamiranga ou Uvamirana. (70) Finalmente a foz do braço do rio Quatinga vai sair na baía próximo à Ponta Grossa, onde finalizam os limites das divisões entre Paranaguá e Antonina. Resta descrever as ilhas e ilhotes que matizam com suas verdes matas as águas azuladas dessa baía,

 

 

 (67) Na baía do distrito de Antonina tem os seguintes estabelecimentos agrícolas, mais principais a saber: no Rio do Picão: as fábricas de aguardente dos falecidos o Sargento-mor Antônio Ferreira de Oliveira, Manoel Teixeira de Carvalho, José Ferreira Arantes e José Antunes Barbosa; com olaria: no Rio de Curitiba-aíba a fábrica de aguardente de Antônio Joaquim; no rio do Sambaqui o estabelecimento do falecido Sargento-mor Antônio José de Carvalho com fábrica de aguardente passou por herança a seu filho o falecido Padre João José de Carvalho e depois dele a Maria Joaquina. Na ilha do Barbosa onde tem uma olaria e muitas plantações de café. No rio do Mergulhão a fábrica de aguardente de João Ribeiro. No rio do Turvo o estabelecimento do falecido alferes Polidório José dos Santos. Na ilha do Albano, assim chamada do nome do seu proprietário, tem olaria e caieira. No rio da Faisqueira tem os estabelecimentos de Luís Carmeliano de Miranda, do falecido Capitão-mor Antônio Ribeiro, Francisco Ribeiro, Manoel de Rosa, com fábrica de aguardente de Bernardino José de Castro, com engenho de serrar madeiras, e outros muitos de menos nomeadas, etc.

 

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(68) Na ilha do Albano assim chamada do nome de seu proprietário tem olaria e caieiras.(69) e (70) No rio da Faisqueira tem os estabelecimentos de Luiz Carmeliano de Miranda dos falecidos Capitão-mor Antônio Ribeiro, Francisco Ribeiro, Manoel da Rosa, com fábricas de aguardente de Bernardino José de Castro com engenho de serrar madeiras; e outros muitos de menores nomeadas &

 

 

 

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 que são as ilhotas das Palmas próximas à ponta dos Pinheiros, a ilha do Itapema próxima à costeira desse nome, ficando além da ponta dos Pinheiros; indo-se para Antonina, as ilhas do Albano, Vuamiranga e Biguá, aproximadas da costeira oposta, a primeira na foz do rio da Faisqueira e a outra na costeira do Quatinga; a ilha do Gonçalo fica entre a foz dos rios da Cachoeira e Faisqueira que a divide um braço de rio do da terra firme; a ilha do Barbosa onde tem uma olaria e grandes plantações de café, está situada próximo à costeira dos mangais, entre os rios do mundo novo e o da Cachoeira da qual é dividida por outro braço do rio. No meio da baía daquele lado, está a grande ilha chamada do Corisco, e nela tem sambaquis de ostreiras, e outra ilha mais com o nome de Vertioga. Nessa mesma baía tem bons fundeadouros tanto no porto da Vila, como em diversos lugares; e bem pode acomodar em seus ancoradouros, cem vasos; ela é compreendida para dentro das pontas do Itapema e da chamada Ponta Grossa. Tem aí seguimento a mesma costeira do lado esquerdo da baía, que já é pertencente ao município de Paranaguá, descrevendo a mesma desde a Ponta Grossa, até a chamada do pasto. Começando na primeira tem o rio Nácar na entrada de sua foz; é areento e baixo, mas dentro fundo e onde há uma fábrica de pilar arroz do Comendador Manoel Antônio Guimarães; (A) e outra de Manoel Liberato de Miranda; segue uma praia que foi propriedade de Ângelo Machado e adiante o sítio do seu estabelecimento com engenho de aguardente; segue adiante o rio Tabaqüera, onde o Capitão Felipe Tavares de Miranda tem umas famosas propriedades de casas assobradadas, de pedra e cal e fábricas de aguardente, de pilar arroz e mandioca, movidas por engenho de água, e bem próximo à de Ângelo Machado, com sua fábrica de pilar arroz; e bem assim outra do falecido Capitão João Crisóstomo Salgado Bueno; segue-se o rio das Canavieiras, e adiante a ponta da costeira chamada Tauçuba, que é formada de um grande penhasco; e seguindo mais adiante tem o rio de Boqueriúma e os estabelecimentos de engenhos de aguardente de Manoel Tavares e diversos moradores; mais adiante tem o rio do Itinga ou Tinga; e próximo a ele um grande campo de criação de gado onde tem mais de 80 reses com muitas vacas de criação, propriedade de Florêncio José Munhoz, segue o rio de Itinguçu com muitos moradores e onde a falecida Ana Cordeiro tinha uma fábrica de pilar arroz e de mandioca; segue a costeira do Buquera quase em linha reta, com um rio do mesmo nome até o rio das Ostras; e adiante outro chamado riozinho onde o falecido Pedro Gomes Sobral fez um grande estabelecimento com fábricas de aguardente e de cana, movido por água, com muita escravatura, e além desse rio, é a costeira povoada com sítios de muitos moradores de plantações de mandiocas, segue-se uma grande praça onde tem o estabelecimento de Dona Maria Luísa de Jesus, viúva; logo adiante o rio das Ostras, a costeira de Piaçagüera, o saco de Tamborutaca e finalmente a ponta do Pasto, princípios dos limites do segundo distrito da Cidade;

  

 

 (A) Mais tarde, Visconde de Nácar.

 

 

 

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